sábado, 6 de abril de 2013

Século XXI.


Ontem me perguntaram o porquê de gostar tanto do que é ultrapassado. Não respondi. A pessoa não obteve resposta, não porque fui grosseira, mas porque não sabia qual era de fato a razão. Esse questionamento foi o suficiente para me fazer pensar durante as seguintes 3 horas. Me encontrei curiosa também. Por que gostar tanto do que é tradicional? Cheguei a conclusão que tenho atração pelo simples. Apenas isso. É um tanto cômico, uma vez que não tenho duas décadas de vida e pessoas da minha idade costumam ser tentados por tudo o que é novo e sofisticado. São fiéis a marcas, não conseguem parar com uma cor de cabelo por pelo menos dois meses, vão á lugares badalados ou necessitam comprar o último lançamento de celular. Me perturba um pouco, porque de certa forma sempre me sinto um tanto... antiquada? Talvez eu realmente seja.
Atualmente, gostar do tradicional é coisa de outro mundo, da geração passada. 

Na minha concepção, o mundo atual e, consequentemente futuro, é/será movido pela industrialização. Quando me refiro a industrialização, não estou dizendo apenas no sentido material, mas em todos possíveis. As pessoas, os valores, os sentimentos, tudo virou mecânico. Para sobreviver ao século XXI, é preciso adequar-se à situação. Trata-se, basicamente, de aceitar que ao longo do tempo, alguns valores são perdidos. No entanto, não deixo que tais necessidades interfiram nos meus gostos pessoais. Ainda sim sou amante da fotografia em preto e branco; tenho simpatia por cavalheirismo; sonho em me corresponder com alguém através de cartas; ainda comprarei uma máquina de escrever; desejo ter a mão beijada por um homem e permanecer com o mesmo durante toda a minha vida, como meu amigo e companheiro. Coisas que são antiquadas ao ver da sociedade, mas que são interessantíssimas no meu mundo.
Me pergunto se conseguiria explicar à aquele que me perguntou. Na dúvida, permaneci calada.



(Texto escrito por Ingrid Sodré)

Um comentário:

  1. Gostei, atualmente as pessoas parecem que são mecanizadas. Gostam do que passa na tv, no minuto seguinte já não gostam mais porque alguém falou mal ou a moda mudou.
    Eu também sou das antigas, praticamente me sinto um velho num corpo de 23.
    O jeito de tratar as pessoas, a música, valores para vida.
    Eu também me vejo permanecendo ao lado de apenas uma pessoa até envelhecer.
    Criar uma biblioteca e ser da família, passar ela por gerações.
    Já tentei me corresponder por cartas, mas não obtive retorno, inclusive tenho uma máquina de escrever,rsrs.
    Tenho um cantil antigo daqueles de alumínio que levo meu vinho por ai para bebericar.
    Não sei o que acontece com os jovens de hoje, parece que fazer mil e uma coisas é aproveitar a vida, mas na verdade eles não sentem o momento das coisas que fazem, passam ou sonham. É tudo superficial demais para eles. Ao invés de aproveitar aquilo que se está passando, só querem mostrar para alguém aquilo que fazem, gostam, possuem etc...
    Enfim, me identifiquei muito com esse post, você escreve muito bem, continue por favor :)

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